Sério Problema de Noivado
CAGE
Três dias. Só isso. É todo o tempo que Cage tem para provar que merece o homem que ama. Ele e Quin sobreviveram a tudo — faculdade, distância, escândalos de cidadezinha. Agora só resta um obstáculo: o pai de Quin, o implacável “Hurricane” Laine.
Laine não construiu seu império deixando alguém ficar no caminho. E ele tem certeza de que um xerife de cidadezinha não é o futuro que o filho dele merece. Mas Cage não veio para se curvar ao poder. Ele veio para lutar pelo para sempre.
QUIN
A formatura deveria significar liberdade. Em vez disso, Quin está preso trabalhando para o pai em Nova York, esperando o pedido que ele e Cage sempre prometeram. Mas os meses passam sem um anel… e cada silêncio faz ele se perguntar se o homem a quem entregou o coração está escapando.
Quando Cage invade a cidade, o amor bate de frente com o legado. Família. Futuro. Para sempre.
Quin finalmente vai ter a vida com que sempre sonhou? Ou a tempestade do pai dele vai separá-los de vez?
Capítulo 1
Quin
Qual é a idade perfeita para um garoto se casar? Pesquisas mostram que a idade média para homens nos EUA é 30,2 anos. Eu não. Eu tenho 24. Cage tem 27. Nós dois seríamos considerados jovens.
Mas a média é 30,2, o que significa que alguns caras se casam mais velhos, e eles precisam que alguns homens se casem mais novos pra manter a média em 30. Se alguns caras não estivessem dispostos a se casar aos, sei lá, 24, então a média nacional ia pro espaço. O caos se instalaria.
Então esses caras precisam que caras da minha idade se casem. Na verdade, a América precisava que caras como eu se casassem. Então, se Cage não me pedisse em casamento neste fim de semana, ele estaria decepcionando o nosso país.
Ele sabia disso? Ele sabia que o estilo de vida americano dependia de ele me pedir em casamento logo — de preferência no terceiro andar da Biblioteca Pública Stephen A. Schwarzman? Sem pressão, mas a ordem mundial dependia disso.
Olhando pra ele enquanto dormia, eu considerei acordá-lo. Ele precisava saber disso. A única coisa me impedindo era o quanto ele parecia confortável. Ele estava de férias, afinal. Eu não.
Desde que me formei na East Tennessee University, eu vinha trabalhando em Nova York na empresa de investimentos do meu pai. Eu vinha trabalhando remotamente nos últimos três anos, da nossa casa em Snow Tip Falls, mas Daddy Laine só tinha permitido isso porque eu ainda estava na faculdade.
Como todo mundo, ele sabia que eu não precisava ter ido pra faculdade. Eu sempre tive esse emprego me esperando, e eu já tinha o equivalente a vários diplomas avançados antes mesmo de pisar no campus.
Pra mim, universidade era sobre as outras coisas: construir amizades, entender pessoas e, se eu tivesse sorte, conseguir meu diploma de Mr. Dizer isso funciona muito melhor quando é Mrs., mas eu sou um garoto procurando um marido, então… Mr.
Felizmente, ter ido pra universidade foi um sucesso. Eu fiz amigos — principalmente meu melhor amigo e colega de quarto por quatro anos, Lou. Eu encontrei uma família e uma comunidade com todo mundo em Snow Tip Falls, meu lar adotivo. E eu encontrei meu namorado, Cage, o cara mais doce, mais gentil e mais gostoso que eu já conheci.
Ele não era só o treinador de futebol americano do colégio que todo aluno amava; ele também era o xerife não oficial de Snow Tip Falls. A cidade só tinha virado município fazia pouco tempo, então, dois anos depois, ainda estavam acertando os detalhes das coisas. Mas como ninguém mais queria o cargo, e Cage já tinha um jeitão de xerife de cidadezinha do melhor jeito possível, ele era o cara.
Titus, o prefeito da cidade, ainda estava tentando arrumar coisas como um uniforme e uma viatura, mas isso ia acontecer. Bastava todo mundo saber que Cage era a pessoa pra quem ligar se precisasse de qualquer coisa. E, quando ligavam, Cage resolvia.
Esse era o meu homem. E agora ele estava ali, dormindo na minha cama de infância em Nova York. Tudo aquilo parecia estranho, mas tão certo. Ele era um garoto do Sul, de cidade pequena, no fundo do coração, então eu não sabia o quanto ele gostava de cidade grande. Mas, pra mim, tê-lo aqui, vendo um pouco de como eu cresci, significava o mundo.
Eu queria passar o resto da vida com ele, e eu queria que ele soubesse tudo sobre mim. Eu queria levá-lo à escola onde eu estudei e depois trabalhei como vice-diretor. Eu queria que ele visse a vista da cidade com que eu acordo toda manhã. Eu queria que ele me visse — inteiro — e eu queria que ele dissesse que a gente não era tão diferente assim.
Aff! Mesmo depois de três anos e meio com ele, construindo uma vida e um lar com ele, eu não conseguia me livrar da sensação de que, assim que ele me conhecesse — me conhecesse de verdade — ele decidiria que a gente não podia ficar junto. A gente cresceu em mundos diferentes. Isso era inegável.
Eu cresci numa cobertura com vista pro Central Park, o filho famoso de uma família rica e influente. A gente passava férias nas Bahamas, na nossa própria ilha particular. Cage cresceu no meio do mato no Tennessee. O vizinho mais próximo ficava a uns três quilômetros de distância, e não era porque a família dele tinha uma propriedade enorme.
Cage tinha vivido numa cabana pequena com um homem que o sequestrou do hospital — ao que tudo indica, a pedido do pai biológico dele. Os detalhes de por que a vida dele acabou do jeito que acabou ainda são desconhecidos. Mas o que não dá pra questionar é que Cage é um garoto do interior, de cidade pequena, da cabeça aos pés.
Eu amava isso nele: o sorriso rápido, o calor que ele mostrava pra todo mundo. Ele tratava os alunos como se fossem todos irmãozinhos dele. Ele se importava com as pessoas. E ele se importava comigo — disso eu nunca precisei duvidar. Ele mostrava todo dia.
Sem conseguir manter minhas mãos longe dele por mais tempo, eu me inclinei e beijei a bochecha dele. Com isso, meu príncipe acordou. Quando os olhos dele se abriram devagar, eu sussurrei,
— Bom dia.
Cage fechou os olhos e sorriu. — Bom dia — ele respondeu, resmungando com aquela voz profundamente rouca.
— Eu preciso me arrumar pro trabalho — eu disse, torcendo pra isso inspirar umas ideias.
— É — ele disse, estendendo a mão e agarrando minha cintura com aquelas mãos enormes de jogador.
— É — eu disse, já preparado pra qualquer coisa que pudesse acontecer.
Ele me puxou pra cima dele, e eu senti exatamente o que eu estava esperando. Não dava pra confundir quando meu namorado estava animado. Eu tinha sentido falta dele nas últimas três semanas, e tinha muita coisa pra sentir falta. Mas agora ele estava aqui de novo, e a sensação do pau duro dele pressionado no meu fez meu corpo tremer de prazer.
Depois de todo esse tempo, eu ainda não via a hora de tê-lo dentro de mim — a língua, o dedo, o pau. Eu me sentia incompleto quando a gente ficava longe, e senti-lo entrando em mim era como voltar a ser inteiro.
Precisando dele, eu me inclinei e beijei a boca dele. Eu estava dizendo o que eu precisava.
— Não começa uma coisa que você não vai conseguir terminar — Cage disse, ainda de olhos fechados e com um sorriso largo no rosto.
Eu beijei ele de novo, deixando claro que eu não estava brincando. Foi o suficiente. Se inclinando pro meu beijo, ele deslizou a mão pra minha bunda. Sim, eu já estava pelado — como eu disse, eu tinha tido tempo de me preparar.