Apoio ao celibato
*Para leitores que gostam de comédias românticas MM com um narrador caótico, moralmente confuso, humor em ritmo acelerado e coração.
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Teagan “Tea” Bray já cansou de se apaixonar por todo cara que faz contato visual com ele. Então ele e seu colega de quarto fazem um pacto. Por um semestre inteiro, eles vão ajudar um ao outro a permanecer em celibato.
Pena que o colega de quarto do Tea quebra o pacto antes mesmo de o semestre começar e, sem avisar o Tea, se muda com o novo namorado — forçando o colega de quarto do namorado a se mudar com o Tea.
Mas tudo bem, porque o novo colega de quarto imposto ao Tea, Rylan Dent, topa virar o novo apoio ao celibato do Tea, fazendo da missão dele garantir que o Tea nunca mais transe.
Será que o Rylan é a pessoa certa para esse trabalho, considerando que ele é um jogador de futebol americano sarado, cheio de covinhas — e que uma figura maluca da feira de produtores previu que ele seria o amor da vida do Tea?
Ou será porque o Tea — que tem a força de vontade de um chihuahua com fetiche por tacos — está disposto a usar toda e qualquer ideia maluca que inventar para quebrar o pacto com o Rylan debaixo dos seus lençóis tricotados?
…Ou porque o Rylan é hétero?
Quem é que pode saber ao certo?
Porque tudo pode acontecer nesta comédia romântica MM, de ‘proximidade forçada’, que faz rir alto — cheia de humor, decisões sexy e péssimas, e um final feliz (HEA) de coração enorme.
Capítulo 1
Aqui vai o que eu sei com certeza. O número de caras com quem você dorme é diretamente proporcional ao número de vezes que você chora feio no corredor de sorvetes às três da manhã, e eu tô sem Lactaid. Eu sei, eu podia simplesmente comprar mais Lactaid. Mas eu também podia parar de me apaixonar por todo cara que faz contato visual comigo.
Não qualquer contato visual, claro. Eu não sou um psicopata. Eu tô falando daquele contato visual muito bom. O que diz: quero te levar pra casa, fazer coisas sujas com você, e depois te ter do meu lado quando eu me assumir pra minha mãe.
O tipo de contato visual que diz que isso é amor verdadeiro. E que eu nunca mais vou respirar sem você enrolado em mim, passando seu ar pros meus pulmões. Pensando, sendo, sentindo o que você sente até nossos batimentos virarem um só.
Não. Eu tô de saco cheio disso. Então, acrescentando garotos à lista de coisas que não me amam de volta, eu fiz um pacto com meu novo colega de quarto. A gente discutiu isso o verão inteiro e, só neste semestre, nós dois vamos ser celibatários. O motivo de termos escolhido morar juntos é ser o Apoyo al celibato um do outro.
Sempre que um de nós ficar tentado, vai conversar com o outro. Nos momentos de fraqueza, a gente vai se apoiar. E como nenhum de nós faz o tipo do outro, não existe risco de um se apaixonar pelo outro.
É o plano perfeito. E depois de passar semanas acertando cada detalhe, a gente se mudou junto, prestes a começar o que pode ser a melhor fase das nossas vidas.
— Tenho uma coisa pra te contar, Tea. Você não vai gostar — Jordan disse, chegando em casa com a mesma roupa da noite anterior.
— É que alguém batizou sua bebida no asilo onde você fez trabalho voluntário? E saiba que só existe uma resposta certa — eu disse, dizendo o óbvio.
— Eu não fiz trabalho voluntário num asilo ontem à noite.
— Não! — eu disse, chocado.
— Eu fui a uma festa.
— Mentiroso!
— Eu conheci um cara.
— Traidor!
— A gente transou.
— Segurando minhas pérolas!
— E agora a gente tá apaixonado.
— Demônio imundo!
— Desculpa. Eu não queria. Só aconteceu.
— Em uma noite? O quê, a gente é lésbica?
— Eu não sei o que dizer.
— Diz: “você nunca mais vai ver ele”. Diz que a gente fez um pacto, que você vê o quanto suas ações foram erradas e que, humildemente, busca meu perdão.
— Eu não posso. Eu amo ele.
— Você nem conhece ele.
— Não preciso. Ele me deu o olhar.
Eu fiquei em silêncio. Não dava pra negar o olhar. Se um cara te dava o olhar que dizia que ele toparia ter seu bebê e continuaria tentando até acontecer, o que eu podia dizer?
Ele tinha encontrado o amor verdadeiro. Na última sexta antes do começo das aulas, ainda por cima. A vida era injusta.
Como é que nunca acontecia nada assim comigo? Eu era tão impossível de amar? Não existia nenhum cara que me amasse o bastante pra me passar pra todos os amigos dele do jeito que dizia o quanto ele tinha orgulho de mim?
— Bom, é uma pena que seu pacto de celibato signifique que você não pode transar com ele este semestre inteiro. Provavelmente vai ser difícil. Mas imagina o quanto o relacionamento de vocês vai ficar mais forte até o fim — eu disse.
— Eu não vou ser celibatário. Você não entende, Tea. Eu amo ele.
— Amar ele? Você nem conhece ele! — eu gritei.
— Mas eu conheço. — Jordan tocou o peito. — Aqui.
— Não conhece — eu disse, amargo.
— Você só pensa isso porque não sabe como é ser amado.
Meu corpo inteiro ficou tenso. As palavras dele foram uma adaga no coração. Eu tinha contado aquilo em confiança, e ele usou como arma. O que eu podia responder? Tinha que ser algo que destruísse ele por dentro e deixasse ele um amontoado de nada no chão.
— Pois a sua imitação da Britney chupa
Jordan arfou.
— E não no sentido gostoso, daquele que faz ele dizer que te ama.
— Seu babaca! — Jordan respondeu, decretando minha vitória.
Saindo do dormitório a passos duros, eu lutei pra segurar as lágrimas. Não era porque o Jordan tinha encontrado o amor e eu não. Quer dizer, não totalmente. Era pelo lugar miserável em que eu tinha me enfiado. Eu queria o que ele tinha.
Era por isso que a gente tava morando junto. Diferente do Jordan, eu precisava de um tempo longe de garotos pra crescer. Eu precisava do apoio dele. Como eu ia conseguir isso agora, sabendo que ele tinha o que eu queria? Não ia. Minha vida tinha acabado.